Sunday, December 25, 2005

Um ano de "Apenas mais Um"

Não pensava vir a escrever isto quando "dei vida" a este blog há um ano atrás, porém a surpresa é parte integrante do sal que dá sabor ao nosso percurso neste mundo.
Feliz ideia a minha.
Hoje o "Apenas mais Um" mostra-me como mudei, como cresci, como ganhei, como perdi também. Agradeço a todos quantos o visitam, se identificam com ele, a quem o embeleza com os seus comentários e textos e ao mundo que me inspira para fluir por estes lados.

A todos vós, um sentido abraço.

E que melhor prenda poderia ele receber do que o prazer de ostentar a música vencedora do "Concurso Novos Criadores'05" produzida pelo nosso amigo e conterrâneo Ivo Brandão. Parabéns Ivo!

Deixo-nos então ao som de "Banda Sonora para o Filme de uma Cidade".

Sunday, December 18, 2005

Feliz Natal

Enquanto carcaças consumistas invadem shoppings gastando o que têm e o que não têm para impressionar o primo do sobrinho da avó que só se vê uma vez por ano, existe miséria que mata quem apenas queria um simples refeição por dia. Talvez porque não sabem que nos empanturramos o dia todo com o que de mais calórico existe, talvez porque não sabem a quantidade de vezes que varremos o nosso prato para o caixote do lixo com um sorriso nos lábios, talvez porque não sabem que existe quem ponha mesas grandes e fartas apenas para se refastelar a olhar e fazer inveja ao vizinho do lado.

Thursday, December 01, 2005

Barquinho de papel

Barquinho de papel,
ainda aqui estás ancorado
Parte, procura, disfruta
este porto só te leva ao fundo
Teu casco já não é forte,
os marinheiros estão cansados
o mar bravio já não é a fonte
passou de porto seguro
a garganta esfomeada.
Não tens medo?
Não me abandonas?

Tens a coragem do homem do mar
traçaste por aqui a tua rota
as tuas velas rasgadas
ainda inspiram os ventos
e galgam as ondas
e tu ainda me queres levar contigo.
Até onde? Logo saberemos...

Monday, November 07, 2005

"Problema de expressão"

"O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto."

Problema de expressão - Clã

Quanto mais junto a ti quero estar, mais longe te sinto. Será um problema de expressão?

Posso dizer-te a cantar que te amo?
Pra ficar mais perto, bem mais perto.

Sunday, November 06, 2005

Árvore da vida

Os desejos que outrora enterrei, numa tentativa de os evitar tornaram-se semente e cresceram... cresceram tanto que já nada mais existe no meu jardim.

É de lá que hoje colho os melhores frutos. Nem todos são doces, mas cada um que se mostra amargo tem muito para me dizer acerca do mundo.

Cresço contigo minha árvore da vida, e o céu não é o limite.

Wednesday, October 26, 2005

A carta

Queridos amigos,

Sinto a vossa falta. Não vivo sem as risadas que me arrancam, sem o sono que não vem quando algo de errado se passa. Não vivo sem as vossas palavras.
Escrevo-vos porque preciso de vós como do pão que nunca vão deixar faltar para a minha boca, porque me entrego, porque me desiludo, porque me surpreendo. Afinal sou uma criança ingénua que começa a gatinhar e vai ficar com os joelhos em ferida. Mas a pele rejuvenescerá e será mais forte do que a que não resistiu. Cicatrizes? Claro. Lembranças que não me abandonam. Lembranças de trilhos mal traçados, de avanços mal planeados, de noites em claro sem que vocês se apercebessem de que eu sofria quando nem tudo corria pelo melhor. Porque a minha intenção era boa, porque era puro.
Contudo obrigado. Obrigado por me ensinarem que o mundo era ingrato, sacrificando algo que não vos chegou sequer a ocorrer.
Afinal conseguirei sempre encontrar no bau aquilo que não me deixa sentir arrependimento.
Afinal vale sempre a pena recomeçar, e ficar feliz na esperança de que desta é que é!

Um abraço a todos, aos que o reconhecem e aos que não sabem que por ele também estão envoltos.

Saturday, October 15, 2005

Sinto-me

Sinto cada pedra que calco com a sola das minhas sapatilhas rotas e imundas de tanto ter andado em círculos á procura do nada, sinto o coração que volta a bater tímido e frágil próprio de quem viveu do nada, volto a sentir a melodia repetida das palavras que me pertencem e das quais me quis outrora separar a custo de nada. Volto! Sinto que volto e volto por que sinto, porque quero, porque a força regressou a mim, a força, ahhh a força. Voltou a confusão, voltou a incompreensão, afinal, (!) voltou a vida! Vou a correr dar a provar este elixir da vida que sempre achei não ter perdido mas que tardava a encontrar. Nunca me abandonou, muito pelo contrário teimava em mostrar-se e eu não o queria ver. Queria estar naquele poço a olhar para a corda partida a meio do caminho e a lamentar-me pela minha ganância de tudo querer levar dali para fora fazendo com que ela cede-se.
Agora estou cá fora, e sinto! Sinto! Sinto que o que deixei naquele buraco elameado era superfluo e estava a atrasar a minha caminhada.
Continuo feliz de encontro ao pôr-do-sol, com a trouxa que me resta a seguir-me presa no outro extremo do pau.

Sunday, October 09, 2005

Viver, sonhar e morrer.

"Sonha como se vivesses para sempre, vive como se fosses morrer hoje."
James Dean

Porque a vida é um mar turbulento do qual podemos esperar tudo, tempestades e bonança...
Há que viver sonhando, alimentando a alma, vestindo por vezes o surreal. Viver cada pedra de sal, cada gota de chuva, cada sorriso, cada toque, cada momento... Até ao derradeiro final, onde o livro será colocado na estante, esquecido.

Thursday, September 29, 2005

A fuga da alma

Começo cada vez mais a achar fascinante o lado B das coisas. Sinais. Pormenores. Gestos. Nem tudo são átomos. Eu sou mais do que isso.
Porque não olhar no escuro? Fechar os olhos e partir. Entregar-me. Fluir. Devolver-me despida ao mundo.
Enquanto escrevo isto viajo. Para onde? Não sei. Algures. Afinal sou livre, sou eu, envolta em cor.
Pudesse eu manter-me assim! Sempre fiel aos desvaneios da minha mente, numa busca constante do sol por detrás das nuvens, guiada por mãos impossiveis de ver, de sentir, mas que estão lá, traçando caminhos indecifráveis por onde me perco sem medo.
É assim que me imponho. É assim que sinto o mundo nas minhas mãos, frágil, incapaz de me rotular.
Afinal eu sou única...

Thursday, September 22, 2005

"Uma mente brilhante"

Os meus dedos estão presos, colados entre si, apenas conseguem escrever letras ao acaso e sem nexo. Não consigo concretizar algo sem premir todas as teclas que rodeiam cada letra que realmente quero escrever. Contudo, a minha mente continua a fervilhar, para o bem, para o mal e infelizmente para aquilo com que nem sequer sonho preocupar-me. Atraiçoa-me como que a vingar-se do tempo em que eu pensava tê-la debaixo de olho, escolhendo o momento exacto para me mostrar fotografia a fotografia tudo o que eu não quero ver. Limito-me a respeitá-la e a vencer cada batalha, até ao dia em que se sinta derrotada e volte a ser minha fiel aliada. Porque juntos somos invencíveis. Porque sem ela sou vazio e ela sem mim não existe. Ela acompanha-me na solidão e eu esforço-me para a acompanhar nos seus devaneios. Eu aprendo com os seus devaneios e ela aprende com a minha solidão.
O dia da total reconciliação está próximo e tudo voltará á (a)normalidade de sempre, a nossa (a)normalidade.

Wednesday, September 14, 2005

Fardos pesados

Afago aqui as agonias de dias tempestuosos. Noites em claro onde a vontade ferida distorce o meu caminho. Estados de alma que fermentam na solidão e perpetuam o curso da minha vida. Saudades de tempos vindouros com mais cor.
Algo que tarda em vir. Enfim, algo com que tenho de conviver.

Friday, September 02, 2005

Perdedor

E subitamente, ele sente o cheiro adocicado da sua presa.
Desliza frio, estratega, semi-oculto numa vegetação que o odeia, enquanto do outro lado aquele ser pacífico disfruta e sente o telurismo preencher os vagões do prazer que há já muito estavam desabitados, carentes do que melhor a vida pode oferecer. Ele não partilha daquela opinião e já consegue imaginar o pelo incómodo a desaparecer deixando á vista aquele músculo vermelhusco, suculento; já sente o sangue escorrer pela sua mandíbula impiedosa; já sente o sol acariciando o seu estômago a explodir de tanta gula depois do festim.
Perdeu-se por momentos em tais antevisões, perdeu a concentração, perdeu a presa, perdeu a refeição, perdeu a vida.
Foi sim ele, mel para os abutres esfomeados.

Saturday, August 27, 2005

Ela simplesmente, traçou o seu destino...

E sem rumo ou preocupação ela caminhava por entre o nada saboreando a liberdade… Estava sozinha, esquecida, relembrava os tempos de cólera e melancolia. Já nada disso fazia sentido. A vertiginosa queda que sofrera no passado havia-a colocado no topo. O sofrimento, as mágoas haviam-se perdido na inútil tarefa de tentar concertar. Fugira. Fugira à monotonia, à senhora da farmácia que a olhava com desprezo, fugira ao vizinho do segundo andar que todos os dias lhe contava uma história nova que no entanto parecia igual a todas as anteriores, fugira às repressões e proibições da tia com a qual vivia. Fugira à vida mesquinha. Agora agarrava-se à certeza de que era única. Num acto de coragem foi capaz de abdicar do conforto para finalmente degustar o prazer de viver as coisas simples da vida. E esta rebeldia e grandiosidade que nela brotava fê-la virar a curva da estrada com um sorriso nos lábios.

Tuesday, August 16, 2005

Apocalíptico


Vais desaparecer, morrer para quem nunca te reconheceu valor e apenas te quis estorquir pureza e felicidade. Deixar saudade no coração de quem verdadeiramente te quis por perto.
Memórias.
Ah! Doces memórias de suaves toques comandados pela brisa do amor.
Ah! Salgadas memórias de violentos afagos provocados pela ventania do desejo.
Vais em paz.
Não encontras-te a verdade...
...mas levaste-a contigo...
...mas tens-me contigo.

Um sorriso.

Friday, August 12, 2005

Pontapé no calço

Quando a certa altura disse a alguém "a apatia está a tomar conta de mim", a resposta não poderia ser mais explicita, mais pedagógica, mas ao mesmo tempo mais dolorosa, mais realista: "a apatia é apenas a falta de novas metas".
Depois desta bofetada entrei em profunda introspecção e conclui.
Tenho sido um bom guia de mim próprio, a vida corre-me bem, vejo objectivos cumpridos, vejo portas abrirem, vejo-me passar por novas experiências, resumindo e concluindo, vejo-me feliz como não via a muito.
Então pá!, não será tal felicidade razão para afastar essa falta de energia?
Enganava-me, nos tempos em que o meu futuro era um pouco mais incerto, a minha mente buscava conforto em tudo o que a rodeava e a inspiração fluia, a imaginação não parava e a apatia não existia, mas (SIM!) esses tempos acabaram.
Estou a crescer e a mudar, a remoldar-me em torno do que me rodeia. Nunca pensei que fosse assim, vejo-me como uma cobra a olhar para a pele ressequida que será sustento de outras espécies, resta-me controlar essa mudança mas não tentar impedi-la, estava errado ao fazê-lo.

Monday, August 08, 2005

Silêncio

Desce a noite escura, emerge a lua, pálida e imponente, uma brisa suave agita-me os cabelos.
Estou sentada na penumbra a olhar o céu. Meu corpo como morto já cedeu ao cansaço das jornadas diárias. Apenas sinto. O silêncio impõe-se vigorosamente. O mesmo silêncio que me sussurra ao ouvido, que me diz palavras doces. O silêncio que me faz falar com a lua, que me faz sentir o sabor quente a verão e a noite como se de chocolate se tratasse.
Silêncio... Silêncio que galga o corpo e me toca na alma, que sorri para mim. Neste momento só quero saborear este vazio que me lava por dentro. Fecho os olhos e adormeço. Sei que continuas aí, a fazer companhia à noite... e a mim.

Monday, August 01, 2005

Que bela miragem

Questiono-me sobre mim. Vejo-me inconformada, insaciável. Quero, quero, quero... Quero o sol que me pinta de moreno, quero a água que contorna os meus traços, quero a lua que me fala de noite, quero ceder às minhas vontades, aos meus apetites, quero caminhar em bicos de pés sobre a frágil teia da felicidade. Quero um horizonte a perder de vista e quero perder-me nele. Quero libertar a minha alma e deixá-la unir-se à tua, deixá-la sorver cada pedaço teu.

Vamos dar as mãos e caminhar... Sem rumo, sem relógio, sem o resto. Vamos respirar o mesmo ar, pisar o mesmo chão, dormir sobre o mesmo leito. Vamos estender a nossa toalha no deserto e contemplar as estrelas sem pensar no amanhã.

Somos duas árvores cuja raiz bebe da mesma água. E como entrelaçados estamos! Sim, é isto que nos espera.É isto que espero de nós...

Friday, July 29, 2005

Obrigado

Sim, obrigado por enxugares os meus olhos que lacrimejavam sem eu me dar conta e tornares clara a minha vista até então turva e desajustada. Vejo agora para além das ligações atómicas que por si só já não me dizem tudo, já me dizem nada. Porque sim, essas estão exploradas, essas têm um lógica finita pela qual é impossível reger a minha vida. Quero mais, quero a metafísica emanada por cada sorriso teu, por cada leve toque que percorre os meus traços e me permite tocar ao de leve o céu.

Dispenso as palavras, o gosto, não oiço, fecho os olhos. Todo o meu ser está à flor da pele e depende da tua presença para se expressar, para continuar. Quero-te sempre como minha confidente quero sempre seguir os teus passos flutuantes, contempla-los um a um, enriquecer-me com o auge da tua perfeição.

Vejo o meu reflexo nos teus olhos como se dentro de ti guardasses parte de mim; parte de mim que encontrei em ti e que é tua por direito.

Um (e)terno obrigado.

Tuesday, July 19, 2005

"Somos do tamanho dos nossos sonhos."

Perco-me subitamente em fantasias inóspitas e surreais. Vagueio desesperadamente no desconhecido em busca da excepção que me faça fugir à regra. Deixo-me fluir. Com estas palavras, neste papel, sou capaz. Palavras expiradas pela alma. Desejos trancados na minha submissão.
Porém, brota em mim uma rebeldia inconstante, uma sede insaciável de liberdade.
Sinto cada vez mais como meu, o chão que piso, o ar que respiro, o leito que me alberga. Tenho um lugar no mundo. Um lugar que conquistei a partir do momento em que tomei consciência daquilo que sou, a partir do momento em que tracei o meu caminho com o meu esforço estampado no suor das minhas mãos. Ninguém o poderia fazer por mim.
Inspiro agora uma brisa fresca que me sabe a lua e a noite. Sinto-me viva, como nunca antes senti! O mundo sorriu para mim. E eu simplesmente ergui os braços e abracei-o com força. Nada me vai fazer perde-lo.

Thievery Corporation @ CDM



No passado dia 14, na sala 1 da Casa da Música (Porto) deixei os meus problemas subirem e debaterem uma estranha luta com a parede que delimita o seu topo ao som de Hilton e Garza.
Através de melodias samba, reggae, pop/rock sempre com uma pitada alternativa e electrónica desta dupla norte-americana em conjunto com os artistas que com eles trabalham todo o auditório se movia numa dança leve e contida de quem se deixa levar e se apaixona por cada som emanado daquele palco.

Saturday, July 16, 2005

Está-nos no sangue

Podessemos nós abdicar do que é visto por olhares alheios e interpretado por mentes denegridas e o mundo seria melhor. Mas não, o nosso ego, por vezes inflamado assume o comando das nossas atitudes e domina o nosso quotidiano. Está-nos no sangue essa maldita dependência do que nos rodeia para que se possa caminhar de cabeça erguida, sem olhar para trás, com pompa e circunstância. Em vez disso estamos sujeitos por vezes a viver a vida que nos rodeia e não só a nossa. Tu menos, eu mais; hoje muito, amanhã pouco; não nos enganemos dizendo que sempre agimos segundo os nossos princípios, estão-nos no sangue os resquícios da aparência.
Há quem tente minimizar, há quem reconheça e condene em si tais vestígios, mas em contrapartida há quem faça de tal comportamento um estilo de vida, uma religião onde são Deus e como tal julgam pecadores escolhidos a dedo e os tentam aniquilar como se de vermes se tratassem.
O nosso primeiro passo em falso não terá perdão.

Monday, July 11, 2005

Uma lufada de ar fresco

Bate-me uma abafada brisa na cara. O ar emana um perfume a peixe e a maresia e a areia quente alberga as toalhas daqueles que se deleitam ao sol enquanto o mar rebenta ruidosamente nas rochas. Fecho os olhos. Quanta paz. Quanta mistura de sabores e odores. Que cenário tão belo. Um bem-haja à mão fértil da Natureza que criou um lugar tão puro. Olho o horizonte, o limite entre o céu e a terra, como queria lá chegar! Talvez seja lá o paraíso de que todos falam, talvez esteja lá a felicidade por que todos anseiam, ou então simplesmente o nada, o vazio, paz. Que lindo conjunto foi aqui formado: água fria e salgada sobre a areia fina e quente e o sol que se perde pouco a pouco no desconhecido para vir dar lugar à noite que vem acompanhada de uma brisa fresca provocada pelo movimento brusco das ondas. Que quadro tão belo foi aqui pintado! Aqui sinto-me de novo uma criança em busca do melhor local para construir o seu castelo de areia.

Bem-vinda

Podem agora contar com "Apenas mais um" membro neste blog. Alguém a quem eu apenas confio a minha vida e agora partilho este canto onde tenho deixado desabafos, sentimentos, opiniões, gostos, etc.

O "Apenas mais um" torna-se hoje mais vasto, mais fresco, mais abrangente.

Vidas mortas II

Quando o meu coração bate apertado em batidas tímidas e angustiantes tenho pena de ter abdicado da minha.

Saturday, July 09, 2005

Leve, breve, suave


Leve, breve, suave,
Um canto de ave
Sobe no ar com que principia
O dia.
Escuto, e passou...
Parece que foi só porque escutei
Que parou.
Nunca, nunca, em nada,
Raie a madrugada,
Ou 'splenda o dia, ou doire no declive,
Tive
Prazer a durar
Mais do que o nada, a perda, antes de eu o ir
Gozar.

Fernando Pessoa

Friday, July 08, 2005

Post "técnico"

Só agora descobri que as alterações que fiz no antigo template apenas surtiam efeito no browser Firefox, portanto decidi aplicar um novo e decidi também ter mais cuidado com eventuais mexidas.

Peço desculpa a todos quantos visitavam este blog utilizando o Internet Explorer porque estava realmente uma bela porcaria, para não utilizar termos mais "portugueses".

Friday, July 01, 2005

Pitões das Júnias - a incompreensível química


Num momento em aqueles que visitam regularmente este "Apenas mais um" (se é que alguém o faz, mas a culpa é inteira e exclusivamente minha) devem ter reparado que está um pouco morto, venho colocar um post de uma ideia que estava esquecida e debaixo de uma pilha de "físicas e matemáticas". Bem, mas o que é facto é que ela resurgiu no momento certo; no momento em que procuro a abstracção (dentro do possível) do mundo que me tem rodeado.

Lembro-me de um dia folheares uma revista e de me saltar á vista um artigo acompanhado de algumas imagens desta aldeia de seu nome Pitões das Júnias, pela qual logo sentí uma química inexplicável acompanhada do desejo de não me ir deste mundo sem passar por lá. E algo me diz que mais cedo ou mais tarde, esta vontade estranha de pisar aquela terra acompanhado por quem comigo viveu esse desejo será saciada.
A incómoda quase certeza que me deram aquelas imagens de que aquele era o "nosso sítio" e que um pouco da minha realização pessoal passa por aquele local, fez-me ver um pouco o que sentem as pessoas que têm fé e que "comem e calam". Eu sinto-me um pouco assim, nada de concrecto me fez pensar assim acerca daquele ermo, apenas telepatia.
Estranho.

Saturday, June 18, 2005

Universal Traveller



I know so many
Places in the world
I follow the sun
In my silver plane

Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler

If you have a look
Outside on the sea
Everything is white
It's so wonderful

Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler

So far
So far
So far away

I met so many
People in my life
I've got many friends
Who can care for me

Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler

Trust fills everywhere ?
And tomorrow
Is a brand new day
Let's go somewhere else

Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler
Universal traveler

So far
So far
So far away
So far
So far
So far away
So far
So far
So far away
So far
So far
So far away.............


Wednesday, June 08, 2005

Vidas mortas

Apodreçam no fundo do vosso saco imundo, mas não venham cheirar mal para ao pé de mim. Morram contorcidos de dor por não terem seguido o caminho correcto.
NÃO TENHO PENA!
Aprendessem em vida a estabelecer objectivos, a pisar caminhos que vos garantissem um bom futuro, a abdicar das incompatibilidades com esses objectivos, com esses caminhos...
Quem sou eu, esta criança com medo de crescer, para falar de objectivos e futuros? Sou alguém que vê mais longe, alguém pronto a perceber o que está ou não correcto, pronto para as desilusões que possam vir como consequência desta maneira de ser, mas acima de tudo, alguém que voa com as suas prórias asas, alguém que se usa como meio de tranporte nas suas digressões a outros mundos.
Talvez esta revolta que cresce dentro de mim me tranforme num monstro, talvez a (in)justiça das minhas palavras se volte um dia contra mim.
NÃO TEMO!
Assumo os meus actos, assumo estas palavras que felizmente são minhas, assumo esta agonia que me consome a alma e me deixa à beira da loucura.
Assumo a ventania que vos toca a face.

Tuesday, June 07, 2005

Tantum Ergo

Meu Deus: aqui, onde não chega o teu amor,
É tudo igual
Ao teu gesto de desprezo...
A Vida não tem sentido,
E o próprio sol que nos mandas
Nem regela nem aquece!
Nem a cor da tua força
Parece!...

Tudo lembra
A inútil persistência
Dum rio a correr pró mar:
O mar nunca fica doce...
(Ah! se o teu amor viesse,
Outro tanto mar que fosse!...)

Assim,
Dizem que não vale a pena...
Apenas luto eu, por ser Poeta
E ser teu inimigo desde o berço!...
Os outros,
Caídos pelos caminhos,
Nem são homens, nem são nada!
São apenas, cada um,
Aquela tua lastimosa ovelha
Tresmalhada...

O Outro Livro de Job - Miguel Torga

Saturday, June 04, 2005

Refúgio

Prendam-me as teias do bem estar, quero estar sempre debaixo da êxtase que me invade neste momento. Prometo não desiludir a redoma que cair sobre mim para me manter flutuante. Quero sempre este olhar que trespassa, este raciocínio prespicaz, esta eminência de explosão. Quero ser consumido pelo calor abrasador do sol que fere, quero abdicar do oxigénio quero pisar o chão da futilidade, quero mais do que tenho, quero sempre esta confusão que ilude, quero esta lucidez fictícia, o sonho eterno a ilusão que faz bem. Quero ser parte do que vejo, do que oiço, preciso de ser absorvido, fugir da relidade, quero a plenitude do prazer de que estamos privados, vejo-o tão longe, sinto-o tão perto, estou tão longe, quero-me tão perto.
Preciso de viagens pelo infinito mundo do desconhecido, preciso da novidade, de sacear a minha sede de emoções.
Estou capaz de encarar pela frente os meus medos, de os apunhalar pelas costas, de arrancar as suas cabeças imundas, de os triturar um por um.
Vejo a minha sombra actuar primeiro, pensar primeiro, morrer primeiro. Prevejo-lhe um futuro sorridente. Sorridente como a morte.

Thursday, May 19, 2005

Zero 7 - Over our heads


Close your eyes
Can't you see it's burning slow
Fading down the sparks of fire earth bound
Space in two
Warm beyond the love below
Close your eyes
It's time for us to go

Over our heads
Lightkeeps passing through
Over our heads
Lite from me to you

Falling down
Way beneath the healing skies
Rise and shine
The crying times left behind

Over our heads
All we see is true
Over our heads
Can't you see it too

Over our heads
Lightkeeps passing through
Over our heads
Lite from me to you

Friday, May 06, 2005

Inspiro... expiro...

Cheira a Verão, cheira a terra, sente-se o aroma das flores! Sente-se alegria, esperança no ar, sente-se fertilidade! Fertilidade de sonhos, fertilidade de sensações, abundância de bem estar, de leveza, abundância de tudo quanto sempre quiseste ter, de tudo quanto mostraste merecer.
As núvens cedem perante o omnipotente céu azul, que é apenas interrompido pela noite iluminada pela lua toda a decoberto que te guia e inunda de protecção e confiança.
Tudo parece perfeito, não tens senão elementos que te saciam, que te vão construindo sem hesitar um caminho e te transportam através dele dando-te a provar o néctar dos deuses.
Nasceste vazio mas vives!, vives e aprendes!, aprendes e concluis!, concluis e erras!, erras e cresces!, cresces e vives!, vives e morres!, morres mas não temes!
Morres feliz, a tua missão está cumprida, mudaste o mundo de quem te compreendeu, abalaste o mundo de quem te tentou ignorar. O teu corpo jaz vazio tal qual como nasceu, mas cedeste o dom da tua vida a quem o quis receber. Ainda hoje paira no ar a tua essência embora muitos não a sintam.
Hoje voltei a senti-la ainda mais forte e sei que cheira... cheira a Verão!

Monday, May 02, 2005

A Dobrar

As cores são mais vivas, sentes-te capaz de ver o que ninguém vê, so porque és a dobrar! Na vida, na alma!
Sois donos eternos do trono da felicidade, não existe quem vos suceda, só porque o sois a dobrar! Na força e na atitude!
Não paras de estimular prazeres adormecidos que te fazem voar, não tens limites, não nada! A dobrar não há impossíveis. Fluis por entre realidades alucinantes onde de todo o lado as coisas te acenam num acto de extrema gratidão porque afinal apenas tu consegues ver nelas algo de novo todos os dias, porque como sabes és... és a dobrar.
Vejo-te agora com finos passos de seda a contornar o mundo galgando a linha onde o céu e a terra se cruzam tal como nós. Deixas á tua passagem a brisa da esperança, um esperança a dobrar, o teu sorriso inspira os que se encostam ao muro da banalidade, mas mais do que isso inspira que em ti se vê a dobrar, qual espelho mágico! O condão da perfeição está contigo e muitos invejam. Sabes disso e sorris... sorris a dobrar.

Saturday, April 23, 2005

O Peso da Saudade

Longe vão os saudosos tempos em que o efeito da gravidade sobre mim era nulo.
Hoje ela pesa.
Pesa como a culpa, pesa como o medo de escrever, pesa como a falta de inspiração.
E pesa mais que o normal.
Pesa tanto que atira as minhas palavras contra o chão como setas que falham o alvo e se perdem.
Pesa tanto que faz o meu pensamento rastejar bem lá no fundo onde a escuridão me faz sentir sozinho e perdido.
Onde poderei encontrar eu algo que me faça flutuar por entre as mais belas experiencias que a vida pode oferecer?
Estarei eu no bom caminho para as ver novamente brotar como trigo dourado em terras puras bafejadas pela brisa suave de verão? Espero estar. Espero mesmo!
Quando tal acontecer vou colher uma a uma e saborear como se fosse a primeira e a última. E vou gostar. Vou mesmo!

Monday, April 18, 2005

THE VERVE - The Rolling People



I got one more life
Can you see it wasting away?
But I got a plan
Do you understand?

The drugstore wife
I was dealing soul and other white
I won't shake your hands
'Cause death has no plans

But here we are the rolling people
Can't stay for long
We gotta go

So come alive with the rolling poeple
Don't ask why
We just know

I'm on a big jet plane
With my baby's crime in my veins
I'll be the first to toast
To my rotten soul

But here we are the rolling people
Don't ask why
We don't know

So come alive with the rolling people
Don't ask why
We just go now
Yeah

Don't even know which way I'm going to
The lights are on and I am feeling blue
I hope you know which way I'm going to fly
Thank you for my life
I said good night, good-bye

You see me going

But here we are the rolling people
Can't stay for long
We gotta go

So come alive with the rolling poeple
Don't ask why
We don't know now
Yeah

Saturday, April 09, 2005

Massive Attack - Butterfly Caught



Weightless falls honeysuckle
Strangers (strange this)
Lights from pages
Paper thin thing

Protected by the naked eye
Pearly sunrise

Nearly worn
Kneeling like a supplicant
Darkened skin
Afraid to see
Radiate
Open lips
Keep smiling for me
Darkened skin
Afraid to see
Radiate
Open lips
Keep smiling for me

Weightless cool honeysuckle
Fair skin freckles
Uncut teeth
Tranquill eyes
Bite my lips
Bite my lips
Shhh
Under your feet

Wednesday, April 06, 2005

Viagens

No silêncio da escuridão, ao som de melodias estonteantes viajo pelos solos aridos e repetitivos de um deserto sem fim até que... Não! Não é uma miragem!! Vejo uma porção de terra fértil de onde brotam as mais frescas e magníficas flores! Colho uma para ter como prova de que o impossivel pode realmente acontecer.
Regresso...
Abrem-se os meus semi-cerrados olhos. A flor??!
Tudo se havia passado apenas na minha mente, contudo, algo me diz que muitas destas flores existem espalhadas por corações discretos de pessoas que também ja fizeram esta viagem.

Sunday, April 03, 2005

Raiva

A explosão está eminente. Á flor da pele estão todas as tuas razões de viver.
IGNORA! Tens motivos para isso; não caias no erro de deixar as ervas daninhas apoderarem-se das tuas grandiosas flores. Cuida delas. Elas e nada mais te ostentarão o nectar da vida que tanto anseias e queres ver fluir. Nada nem ninguém te pode parar.

Nós

A mim, só a mim inspiram os ventos fortes da banalidade que cruza comigo a cada esquina. Triste sorte a deles que estão por toda a parte e dominam a superfície terrestre.
Eles que são diferentes.
Eles que são iguais.
Eles que se perdem em repetições.
Eles que não vivem.
Eles que só existem.
Eles que me incitam a viver cada vez com mais pujança, cada vez com mais orgulho. Sim, tu sabes que estas palavras são para nós. São em nossa honra. Em nossa e na daqueles que se queiram juntar a nós.
Somos eternas crianças desejosas de novas precepções.

Monday, March 28, 2005

Human after all

Quando nos achamos conhecedores totais das nossas reacções, da nossa personalidade, mais cedo ou mais tarde teremos uma grande desilusão. Quando te vires por caminhos que não são os teus, quando os teus sentimentos não te obedecerem quando não fores tu a tomar decisões vais entrar em pânico. Achar-te-ás um traste, questionarás a razão da tua existência e farás uma introspectiva profunda. O que é certo é que não terás força para utilizar a força (que sem duvida existe em ti) para impedir que o barco se afunde. E sim! Nesse momento precisarás de alguém ou de algo que te traga de volta ao que de bom existe em ti.

Tuesday, March 01, 2005

Thievery Corporation - The Cosmic Game



Marching The Hate Machines (Into The Sun)
Warning Shots
The Revolution Solution
The Cosmic Game
Satyam Shivam Sundram
Amerimacka
Amcicion Eterna (Eternal Ambition)
Pela Janela (Through The Window)
Sol Tapado
The Heart's A Lonely Hunter
Holographic Universe
Doors Of Perception
Wires And Watchtowers
The Supreme Illusion
The Time We Lost Out Way
A Gentle Dissolve

Saiu em Fevereiro, este novo album daqueles que se auto-entitulam "arquitectos musicais", na minha opinião depois do magnífico "The Outernational Sound" confesso que esperava um pouco mais, no entanto este album dignifica e muito estes dois "arquitectos". Vale a pena.


Saturday, February 26, 2005

Ei, alguém nos tira daqui?

Queremos fugir, queremos ir mais além, queremos viver o sonho, agarrá-lo com unhas e dentes.
Queremos avançar no tempo, queremos retroceder e emendar.
Queremos a perfeição que nos passa a milhas de distância.

Enfim á que voltar á Terra e ver as coisas tal como elas são.


Post influênciado por: The Verve - Space and Time

Tuesday, February 22, 2005

Á velocidade da luz...

... vais dando os passos finais em direcção ao futuro, vê lá se não és um espectador mas sim a personagem principal deste filme!

Saturday, February 19, 2005

Shrek 2



Palavras para quê??

Thursday, February 17, 2005

Pluto



Ainda bem que há quem dignifique a música portuguesa.
Aconselho vivamente o album desta recente banda que conta com letras perfeitas para nos fazer reflectir e música a condizer.
Five Stars!


Friozinho na barriga


Sunday, February 13, 2005

Infância

Esse tempo mágico vai-se escapando das nossas mãos porque o mundo se torna monótono e repetitivo, deixando de ser uma fonte de primeiras vezes.

Friday, February 11, 2005

27 a 31 de Julho!

A Minho Campus Party 2005 já tem data. Mal posso esperar, para estar pela segunda vez presente neste evento fenomenal que só quem já presenciou sabe valorizar. O espírito de companheirismo que lá se vive é magnífico. TENHO SAUDADES!



minhocampusparty.net

Saturday, February 05, 2005

MOBY - We Are All Made Of Stars



Growing in numbers
Growing in speed
Can't fight the future
Can't fight what I see

People they come together
People they fall apart
No one can stop us now
'Cause we are all made of stars

Efforts of lovers
Left in my mind
I sing in the reaches
We'll see what we find

People they come together
People they fall apart
No one can stop us now
'Cause we are all made of stars

People they come together
People they fall apart
No one can stop us now
'Cause we are all made of stars

Slow slow slow, come come
Someone come come come
Even love is goin' 'round
You can't ignore what is goin' 'round

Slowly rebuilding
I feel it in me
Growing in numbers
Growing in peace
(...)

Brain Works

Este teste que visa detectar qual o hemisfério predominante do cérebro de quem o realiza baseia-se em
20 questões "lunáticas" para depois concluir sobre as respostas dadas. Se é fiável não sei, mas que
descreveu a minha personalidade de uma forma fiél á realidade, lá isso é verdade.

Nota: O Teste é todo ele em inglês.

Tuesday, February 01, 2005

AIR



Aqui deixo o link de um vídeo da música Alpha Beta Gaga ao vivo em Werchter (Não faço a mínima onde seja).
Os amantes destes dois senhores da música electrónica saberão apreciar este fabuloso vídeo. Mais informo que devido á qualidade muito duvidosa da minha shell é bem provável que em certas alturas não seja possível fazer o download do vídeo.

Monday, January 31, 2005

C'est la vie.

Bem, enquanto não me ocorre nenhum assunto para colocar um novo post, aproveitei para adicionar uma categoria com links de Blogs, FotoBlogs de amigos, alguns websites que são do meu agrado e para completar um pouco mais o meu profile.
Espero que em breve me passe algo pela memória porque até já tenho saudades de "filosofar" como se não houvesse amanhã.

Abraços.

Friday, January 14, 2005

Conheces?

Boa pergunta. Em condições normais so conhecemos de alguém aquilo que esse alguém quiser mostrar. E á partida cada um tenta exteriorizar o melhor de si. Mas, fruto da convivência exagerada existe uma tendência para o lado menos bom de cada um começar a aparecer. E instalam-se as dúvidas. Dúvidas essas que podem dar lugar a desilusões fatais. Encontro-me agora perante um problema que condiciona a continuação da escrita deste post. Será que são os defeitos de um indivíduo que proporcionam as desilusões ou é a baixa capacidade que o receptor tem de tolerar o lado menos bom do companheiro que o faz ficar "farto"? Grande dilema este, causador de muitos divórcios e finais de relações. Vou ficar aqui porque sinceramente me sinto confuso em relação a este assunto.

Saturday, January 08, 2005

Injustiças

Porquê? Porque é que pessoas que desaprenderam ou talvez nunca aprenderam a ver ambas as partes de uma questão, acham que a razão está sempre do seu lado, e não conseguem admitir que erram mesmo quando já não têm mais argumentos para defender a sua opinião acerca de algo que na maior parte das vezes desconhecem limitando-se a atirar "calinadas" para o ar, "calinadas" esses que doem e causam revolta a quem sabe que está a ser injustiçado. Raiva é o sentimento que me ocorre quando sou confrontado com situações deste género. Ainda bem que consigo por a mão na minha consciência, distinguir o justo do injusto e admitir os meus erros sempre que os cometo.
E neste momento rio, rio muito da ignorância daqueles que por momentos se transformam em bestas sem poder analítico e muito menos de argumentação.

Wednesday, January 05, 2005

Coisas "do outro mundo"

De tantas voltas e reviravoltas darmos ás ideias e coisas "do outro mundo" que nos andam na cabeça, acabamos com uma dor de pensar (como Fernando Pessoa deixava sub-entendido em muitos dos seus poemas) que nos põe a um passo do abismo. Qual a solução? Deixarmo-nos cair sem saber se aparecerá durante a queda alguma núvem que nos salve correndo o risco de cairmos redondos no rio do desconhecido cuja foz é talvez inexistente ou continuar de pé sempre com a dor constante no pensamento e com a curiosidade em saber o que está para além? Diz-se que quem não arrisca não petisca mas também que um homem prevenido vale por dois. Quem sou eu? Um ser prevenido com a certeza de que nada me falta ou alguém pronto a arriscar e com plena confiança que a nuvém surgirá no momento certo para me deixar disfrutar as novidades do abismo e até quem sabe levar-me a viajar em segurança pelo rio do desconhecido e mostrar-me a sua foz.
Será ainda cedo para se ter estas certezas? Muito provavelmente. Enquanto isso o cocktail de ideias e incógnitas vai resistindo e provocando a incómoda mas pedagógica dor de pensar.

Disparate? Talvez.