Saturday, August 27, 2005
Ela simplesmente, traçou o seu destino...
E sem rumo ou preocupação ela caminhava por entre o nada saboreando a liberdade… Estava sozinha, esquecida, relembrava os tempos de cólera e melancolia. Já nada disso fazia sentido. A vertiginosa queda que sofrera no passado havia-a colocado no topo. O sofrimento, as mágoas haviam-se perdido na inútil tarefa de tentar concertar. Fugira. Fugira à monotonia, à senhora da farmácia que a olhava com desprezo, fugira ao vizinho do segundo andar que todos os dias lhe contava uma história nova que no entanto parecia igual a todas as anteriores, fugira às repressões e proibições da tia com a qual vivia. Fugira à vida mesquinha. Agora agarrava-se à certeza de que era única. Num acto de coragem foi capaz de abdicar do conforto para finalmente degustar o prazer de viver as coisas simples da vida. E esta rebeldia e grandiosidade que nela brotava fê-la virar a curva da estrada com um sorriso nos lábios.
Tuesday, August 16, 2005
Apocalíptico

Vais desaparecer, morrer para quem nunca te reconheceu valor e apenas te quis estorquir pureza e felicidade. Deixar saudade no coração de quem verdadeiramente te quis por perto.
Memórias.
Ah! Doces memórias de suaves toques comandados pela brisa do amor.
Ah! Salgadas memórias de violentos afagos provocados pela ventania do desejo.
Vais em paz.
Não encontras-te a verdade...
...mas levaste-a contigo...
...mas tens-me contigo.
Um sorriso.
Friday, August 12, 2005
Pontapé no calço
Quando a certa altura disse a alguém "a apatia está a tomar conta de mim", a resposta não poderia ser mais explicita, mais pedagógica, mas ao mesmo tempo mais dolorosa, mais realista: "a apatia é apenas a falta de novas metas".
Depois desta bofetada entrei em profunda introspecção e conclui.
Tenho sido um bom guia de mim próprio, a vida corre-me bem, vejo objectivos cumpridos, vejo portas abrirem, vejo-me passar por novas experiências, resumindo e concluindo, vejo-me feliz como não via a muito.
Então pá!, não será tal felicidade razão para afastar essa falta de energia?
Enganava-me, nos tempos em que o meu futuro era um pouco mais incerto, a minha mente buscava conforto em tudo o que a rodeava e a inspiração fluia, a imaginação não parava e a apatia não existia, mas (SIM!) esses tempos acabaram.
Estou a crescer e a mudar, a remoldar-me em torno do que me rodeia. Nunca pensei que fosse assim, vejo-me como uma cobra a olhar para a pele ressequida que será sustento de outras espécies, resta-me controlar essa mudança mas não tentar impedi-la, estava errado ao fazê-lo.
Depois desta bofetada entrei em profunda introspecção e conclui.
Tenho sido um bom guia de mim próprio, a vida corre-me bem, vejo objectivos cumpridos, vejo portas abrirem, vejo-me passar por novas experiências, resumindo e concluindo, vejo-me feliz como não via a muito.
Então pá!, não será tal felicidade razão para afastar essa falta de energia?
Enganava-me, nos tempos em que o meu futuro era um pouco mais incerto, a minha mente buscava conforto em tudo o que a rodeava e a inspiração fluia, a imaginação não parava e a apatia não existia, mas (SIM!) esses tempos acabaram.
Estou a crescer e a mudar, a remoldar-me em torno do que me rodeia. Nunca pensei que fosse assim, vejo-me como uma cobra a olhar para a pele ressequida que será sustento de outras espécies, resta-me controlar essa mudança mas não tentar impedi-la, estava errado ao fazê-lo.
Monday, August 08, 2005
Silêncio
Desce a noite escura, emerge a lua, pálida e imponente, uma brisa suave agita-me os cabelos.
Estou sentada na penumbra a olhar o céu. Meu corpo como morto já cedeu ao cansaço das jornadas diárias. Apenas sinto. O silêncio impõe-se vigorosamente. O mesmo silêncio que me sussurra ao ouvido, que me diz palavras doces. O silêncio que me faz falar com a lua, que me faz sentir o sabor quente a verão e a noite como se de chocolate se tratasse.
Silêncio... Silêncio que galga o corpo e me toca na alma, que sorri para mim. Neste momento só quero saborear este vazio que me lava por dentro. Fecho os olhos e adormeço. Sei que continuas aí, a fazer companhia à noite... e a mim.
Estou sentada na penumbra a olhar o céu. Meu corpo como morto já cedeu ao cansaço das jornadas diárias. Apenas sinto. O silêncio impõe-se vigorosamente. O mesmo silêncio que me sussurra ao ouvido, que me diz palavras doces. O silêncio que me faz falar com a lua, que me faz sentir o sabor quente a verão e a noite como se de chocolate se tratasse.
Silêncio... Silêncio que galga o corpo e me toca na alma, que sorri para mim. Neste momento só quero saborear este vazio que me lava por dentro. Fecho os olhos e adormeço. Sei que continuas aí, a fazer companhia à noite... e a mim.
Monday, August 01, 2005
Que bela miragem
Questiono-me sobre mim. Vejo-me inconformada, insaciável. Quero, quero, quero... Quero o sol que me pinta de moreno, quero a água que contorna os meus traços, quero a lua que me fala de noite, quero ceder às minhas vontades, aos meus apetites, quero caminhar em bicos de pés sobre a frágil teia da felicidade. Quero um horizonte a perder de vista e quero perder-me nele. Quero libertar a minha alma e deixá-la unir-se à tua, deixá-la sorver cada pedaço teu.
Vamos dar as mãos e caminhar... Sem rumo, sem relógio, sem o resto. Vamos respirar o mesmo ar, pisar o mesmo chão, dormir sobre o mesmo leito. Vamos estender a nossa toalha no deserto e contemplar as estrelas sem pensar no amanhã.
Somos duas árvores cuja raiz bebe da mesma água. E como entrelaçados estamos! Sim, é isto que nos espera.É isto que espero de nós...
Vamos dar as mãos e caminhar... Sem rumo, sem relógio, sem o resto. Vamos respirar o mesmo ar, pisar o mesmo chão, dormir sobre o mesmo leito. Vamos estender a nossa toalha no deserto e contemplar as estrelas sem pensar no amanhã.
Somos duas árvores cuja raiz bebe da mesma água. E como entrelaçados estamos! Sim, é isto que nos espera.É isto que espero de nós...
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