E subitamente, ele sente o cheiro adocicado da sua presa.
Desliza frio, estratega, semi-oculto numa vegetação que o odeia, enquanto do outro lado aquele ser pacífico disfruta e sente o telurismo preencher os vagões do prazer que há já muito estavam desabitados, carentes do que melhor a vida pode oferecer. Ele não partilha daquela opinião e já consegue imaginar o pelo incómodo a desaparecer deixando á vista aquele músculo vermelhusco, suculento; já sente o sangue escorrer pela sua mandíbula impiedosa; já sente o sol acariciando o seu estômago a explodir de tanta gula depois do festim.
Perdeu-se por momentos em tais antevisões, perdeu a concentração, perdeu a presa, perdeu a refeição, perdeu a vida.
Foi sim ele, mel para os abutres esfomeados.
Friday, September 02, 2005
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1 comment:
olá,
este post é a pura descrição de que:
"quem tudo quer tudo perde"
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