Começo cada vez mais a achar fascinante o lado B das coisas. Sinais. Pormenores. Gestos. Nem tudo são átomos. Eu sou mais do que isso.
Porque não olhar no escuro? Fechar os olhos e partir. Entregar-me. Fluir. Devolver-me despida ao mundo.
Enquanto escrevo isto viajo. Para onde? Não sei. Algures. Afinal sou livre, sou eu, envolta em cor.
Pudesse eu manter-me assim! Sempre fiel aos desvaneios da minha mente, numa busca constante do sol por detrás das nuvens, guiada por mãos impossiveis de ver, de sentir, mas que estão lá, traçando caminhos indecifráveis por onde me perco sem medo.
É assim que me imponho. É assim que sinto o mundo nas minhas mãos, frágil, incapaz de me rotular.
Afinal eu sou única...
Thursday, September 29, 2005
Thursday, September 22, 2005
"Uma mente brilhante"
Os meus dedos estão presos, colados entre si, apenas conseguem escrever letras ao acaso e sem nexo. Não consigo concretizar algo sem premir todas as teclas que rodeiam cada letra que realmente quero escrever. Contudo, a minha mente continua a fervilhar, para o bem, para o mal e infelizmente para aquilo com que nem sequer sonho preocupar-me. Atraiçoa-me como que a vingar-se do tempo em que eu pensava tê-la debaixo de olho, escolhendo o momento exacto para me mostrar fotografia a fotografia tudo o que eu não quero ver. Limito-me a respeitá-la e a vencer cada batalha, até ao dia em que se sinta derrotada e volte a ser minha fiel aliada. Porque juntos somos invencíveis. Porque sem ela sou vazio e ela sem mim não existe. Ela acompanha-me na solidão e eu esforço-me para a acompanhar nos seus devaneios. Eu aprendo com os seus devaneios e ela aprende com a minha solidão.
O dia da total reconciliação está próximo e tudo voltará á (a)normalidade de sempre, a nossa (a)normalidade.
O dia da total reconciliação está próximo e tudo voltará á (a)normalidade de sempre, a nossa (a)normalidade.
Wednesday, September 14, 2005
Fardos pesados
Afago aqui as agonias de dias tempestuosos. Noites em claro onde a vontade ferida distorce o meu caminho. Estados de alma que fermentam na solidão e perpetuam o curso da minha vida. Saudades de tempos vindouros com mais cor.
Algo que tarda em vir. Enfim, algo com que tenho de conviver.
Algo que tarda em vir. Enfim, algo com que tenho de conviver.
Friday, September 02, 2005
Perdedor
E subitamente, ele sente o cheiro adocicado da sua presa.
Desliza frio, estratega, semi-oculto numa vegetação que o odeia, enquanto do outro lado aquele ser pacífico disfruta e sente o telurismo preencher os vagões do prazer que há já muito estavam desabitados, carentes do que melhor a vida pode oferecer. Ele não partilha daquela opinião e já consegue imaginar o pelo incómodo a desaparecer deixando á vista aquele músculo vermelhusco, suculento; já sente o sangue escorrer pela sua mandíbula impiedosa; já sente o sol acariciando o seu estômago a explodir de tanta gula depois do festim.
Perdeu-se por momentos em tais antevisões, perdeu a concentração, perdeu a presa, perdeu a refeição, perdeu a vida.
Foi sim ele, mel para os abutres esfomeados.
Desliza frio, estratega, semi-oculto numa vegetação que o odeia, enquanto do outro lado aquele ser pacífico disfruta e sente o telurismo preencher os vagões do prazer que há já muito estavam desabitados, carentes do que melhor a vida pode oferecer. Ele não partilha daquela opinião e já consegue imaginar o pelo incómodo a desaparecer deixando á vista aquele músculo vermelhusco, suculento; já sente o sangue escorrer pela sua mandíbula impiedosa; já sente o sol acariciando o seu estômago a explodir de tanta gula depois do festim.
Perdeu-se por momentos em tais antevisões, perdeu a concentração, perdeu a presa, perdeu a refeição, perdeu a vida.
Foi sim ele, mel para os abutres esfomeados.
Subscribe to:
Comments (Atom)
