Sinto cada pedra que calco com a sola das minhas sapatilhas rotas e imundas de tanto ter andado em círculos á procura do nada, sinto o coração que volta a bater tímido e frágil próprio de quem viveu do nada, volto a sentir a melodia repetida das palavras que me pertencem e das quais me quis outrora separar a custo de nada. Volto! Sinto que volto e volto por que sinto, porque quero, porque a força regressou a mim, a força, ahhh a força. Voltou a confusão, voltou a incompreensão, afinal, (!) voltou a vida! Vou a correr dar a provar este elixir da vida que sempre achei não ter perdido mas que tardava a encontrar. Nunca me abandonou, muito pelo contrário teimava em mostrar-se e eu não o queria ver. Queria estar naquele poço a olhar para a corda partida a meio do caminho e a lamentar-me pela minha ganância de tudo querer levar dali para fora fazendo com que ela cede-se.
Agora estou cá fora, e sinto! Sinto! Sinto que o que deixei naquele buraco elameado era superfluo e estava a atrasar a minha caminhada.
Continuo feliz de encontro ao pôr-do-sol, com a trouxa que me resta a seguir-me presa no outro extremo do pau.
Saturday, October 15, 2005
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1 comment:
Pois é nada como deixar-mos no fundo do posso aquilo que teimosamente nos tenta puxar para lá.
Agora a caminhada será mais leve e os frutos serás tu que os terás de escolher...
:)
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